A ex-deputada federal Manuela d’Ávila (PCdoB-RS) confirmou a versão dada pelo hacker Walter Delgatti Neto, conhecido como “Vermelho”, em depoimento à Polícia Federal (PF).

Delgatti Neto afirmou que enviou à Manuela um áudio com uma conversa entre procuradores como comprovação de que o material roubado de centenas de autoridades brasileiras era legítimo.

Depois disso, segundo o hacker, Manuela, candidata a vice de Fernando Haddad (PT) na última eleição presidencial, o colocou em contato com o norte-americano Glenn Greenwald, editor e cofundador do site Intercept.

Em nota à imprensa divulgada na noite desta sexta-feira (26), Manuela, que está em viagem ao exterior, confirmou que fez a ponte entre Delgatti Neto e Greenwald. Segundo ela, o hacker entrou em contato com ela após invadir seu aparelho telefônico.

“Apesar de ser jornalista e por estar apta a produzir matéria com sigilo de fonte, repassei ao invasor do meu celular o contato do reconhecido e renomado jornalista investigativo Glenn Greenwald”, disse a ex-deputada.

A ex-parlamentar do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) também disse desconhecer a identidade do hacker e se colocou “a inteira disposição para auxiliar no esclarecimento dos fatos”.

Confira a íntegra da nota publicada por Manuela d’Ávila, em sua rede social, à imprensa:

NOTA À IMPRENSA

Tomando ciência, pela imprensa, de alusões feitas ao meu nome na investigação de fatos divulgados pelo “The Intercept Brasil”, e por me encontrar no exterior em atividades programadas desde o início do corrente ano, esclareço que:

1. No dia 12 de maio, fui comunicada pelo aplicativo Telegram de que, naquele mesmo dia, meu dispositivo havia sido invadido no Estado da Virginia, Estados Unidos. Minutos depois, pelo mesmo aplicativo, recebi mensagem de pessoa que, inicialmente, se identificou como alguém inserido na minha lista de contatos para, a seguir, afirmar que não era quem eu supunha que fosse, mas que era alguém que tinha obtido provas de graves atos ilícitos praticados por autoridades brasileiras. Sem se identificar, mas dizendo morar no exterior, afirmou que queria divulgar o material por ele coletado para o bem do país, sem falar ou insinuar que pretendia receber pagamento ou vantagem de qualquer natureza.

2. Pela invasão do meu celular e pelas mensagens enviadas, imaginei que se tratasse de alguma armadilha montada por meus adversários políticos. Por isso, apesar de ser jornalista e por estar apta a produzir matérias com sigilo de fonte, repassei ao invasor do meu celular o contato do reconhecido e renomado jornalista investigativo Glenn Greenwald.

3. Desconheço, portanto, a identidade de quem invadiu meu celular, e desde já, me coloco a inteira disposição para auxiliar no esclarecimento dos fatos em apuração. Estou, por isso, orientando os meus advogados a procederem a imediata entrega das cópias das mensagens que recebi pelo aplicativo Telegram à Polícia Federal, bem como a formalmente informarem, a quem de direito, que estou à disposição para prestar quaisquer esclarecimentos sobre o ocorrido e para apresentar meu aparelho celular à exame pericial.

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