O segundo dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2019 cobrou questões inspiradas em assuntos contemporâneos e conhecimentos envolvendo problemas do cotidiano, como um app de namoro no estilo do Tinder, o esporte slackline, receita para dessalgar o feijão e tirar o cheiro de alho da mão e as funções de um rim biônico.

O Enem começou às 13h30 de Brasília e o segundo dia de provas tem cinco horas de duração. São 45 questões de matemática e 45 questões de ciências da natureza.

Ciências da natureza

A prova de ciências da natureza trouxe diversas questões envolvendo o dia a dia na cozinha, principalmente sobre as utilidades de ingredientes bem populares, como o uso de café como adubo, na qual era preciso explicar qual era o papel dos compostos químicos presentes no café em contato com a terra a ser adubada; as diferenças no nível de acidez das polpas de frutas congeladas, comparando a concentração de ácido cítrico em frutas como caju e maracujá; a ciência por trás do truque de colocar batatas na panela do feijão quando ele está muito salgado; e o uso crescente de corantes naturais na indústria, como o betacaroteno, proveniente da cenoura.

O cultivo de alimentos orgânicos também foi tema de uma das questões. Era preciso explicar como uma lavoura com certificado orgânico fazia o controle de pragas.

Uma questão de biologia foi inspirada nos atletas olímpicos. Ela falava sobre o doping com a substância eritropoetina (EPO), proibida pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), e pedia que o aluno explicasse o que essa substância potencializa no corpo do esportista.

O lixo espacial também caiu no Enem. Uma questão trouxe um texto do professor Renato Las Casas, publicado em 2008 no site do Observatório Astronômico Frei Rosário, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). No trecho citado, o professor reconta a história de quando, em 1978, partes de um foguete soviético passaram acima da cidade do Rio de Janeiro, mas caiu no Oceano Atlântico.

Para acertar essa questão, os candidatos tinham que fazer cálculos considerando a hipótese de esse acidente não ter caído na água, mas sim atingido a capital fluminense.

Trecho de texto do professor Renato Las Casas, da UFMG, que caiu no segundo dia de provas do Enem 2019 — Foto: Reprodução/UFMG

Ainda em física, um antigo comercial da rede de lojas Casas Pernambucanas que falava sobre frio para vender cobertores pedia que os candidatos entendessem os erros que o jingle traz a respeito de calorimetria. O jingle, de 1962 (veja no vídeo abaixo), fala sobre como os cobertores comprados na loja vão “aquecer o lar” durante o inverno, sem deixar o frio entrar”.

Porém, o enunciado diz que a letra da canção está tecnicamente incorreta, segundo os conceitos de calorimetria, já que a função do cobertor é impedir que o corpo perca calor, e não aquecê-lo.

Quem bate?
– É o frio
– Não adianta bater, eu não deixo você entrar. / As Casas Pernambucanas é que vão aquecer o meu lar. / Vou comprar flanelas, lãs e cobertores eu vou comprar / nas Casas Pernambucanas e nem vou sentir o inverno passar.

Veja o vídeo:

Também havia uma questão que remetia ao slackline, esporte de equilíbrio sobre uma fita elástica esticada entre dois pontos. Nesse caso, o candidato precisava usar conhecimentos de física e de matemática para determinar a força que a fita exerce nas árvores quando um praticante caminhava sobre ela.

Uma questão curiosa abordava o comportamento de cutias. O texto falava que esses animais têm o hábito de enterrar as sementes que encontram para guardar alimento para períodos de seca. No entanto, algumas cutias roubam o alimento enterrado por outras, fazendo com que a mesma semente seja alvo de vários animais.

“Os cientistas descobriram que essa ladroagem faz com que uma mesma semente possa ser enterrada dezenas de vezes”, explicava o enunciado.

Em química, uma questão pedia que os estudantes fizessem uma análise da composição química do plástico PET, muito usado para a produção de garrafas de refrigerante. Era preciso explicar como ocorre a degradação do polietileno tereftalato.

Garrafas de plástico PET, um dos poluentes sólidos mais persistentes do planeta — Foto: Twentyfour Students/CC

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