O ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou ter medo de que possa ocorrer uma “guerra civil” em seu país. A declaração foi feita em entrevista à Agência Efe neste domingo. Morales pediu aos seus compatriotas que deem fim imediato os confrontos.

“Eu tenho muito medo. Em nosso governo, unimos o campo e a cidade, leste e oeste, profissionais e não profissionais. Agora grupos violentos estão chegando”, alertou Morales, quando questionado sobre o risco de uma guerra civil na Bolívia.

O ex-presidente, que está no México após aceitar o asilo oferecido pelo governo do país, disse ter “informações em primeira mão” de que existem “paramilitares organizados” e “membros de gangues e viciados em drogas pagos” pela direita boliviana para cometer atos violentos pelas ruas do país.

Neste domingo, o enviado da Organização das Nações Unidas (ONU) à Bolívia, Jean Arnault, disse, após sair de um encontro com a presidente interina Jeanine Añez, que o órgão espera poder contribuir com um “processo acelerado de pacificação” que leve a novas eleições presidenciais. Ao mesmo tempo, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) condenou o governo de Añez por lançar um decreto que, segundo a organização, “exime de responsabilidade criminal” soldados envolvidos na repressão a protestos no país.

O decreto de Añez foi lançado um dia antes da manifestação de cocaleiros fiéis ao ex-presidente Evo Morales, na sexta-feira, que deixou oito mortos. O ministro da Presidência, Jerjes Justiniano, disse em coletiva de imprensa que a legislação é baseada no Código Criminal do país, que diz que “se alguém se defende em autodefesa, não há penalidade”. “O decreto não é uma licença para que as Forças Armadas matem”, disse Justiniano.

Asilado no México, Morales renunciou domingo após perder o apoio das Forças Armadas, na esteira de três semanas de protestos por sua questionada reeleição. A opositora Jeanine Áñez assumiu a Presidência de forma interina após a fuga do ex-governante.

 

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