O deputado federal Julian Lemos (PSL-PB) variou entre frases de apoio e de descontentamento com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em participação hoje no Programa Pânico, da Rádio Jovem Pan.

Em diversos momentos da entrevista, Lemos lembrou-se da campanha eleitoral de 2018, quando esteve próximo a Bolsonaro, que se dirigia a ele como “coordenador de campanha no Nordeste”. Mas, após quase um ano de mandato, mostrou insatisfação com algumas ações do presidente.

“Bolsonaro é um cara extremamente envolvente. Você acredita nele. Eu acredito nele, na força dele, acho um cara honesto, mas ele tem algumas situações de ingratidão e injustiça que machucam as pessoas”, afirmou.

Apesar das discordâncias, o deputado negou ser um traidor do presidente e disse que segue fechado com as pautas de campanha, independentemente da saída de Bolsonaro do PSL.

“O presidente é um terreno muito fértil. Ali, se você plantar morango, nasce morango. Se plantar espinho, nasce espinho. Se eu tenho uma convivência com ele de 30 anos e chega uma pessoa agora e fala que estou fazendo algo errado, o presidente não vai nem perguntar o que eu fiz, já vira as costas. Não há como o presidente apontar para mim absolutamente nada. ”

“Não há possibilidade de eu mudar minha pauta. Não posso mudar discurso. O presidente, hoje, sabe quem é Julian Lemos. Ele nunca pediu algo para eu não fazer. Eu posso não fazer de acordo com as emoções dele, mas estou ao lado dele”, concluiu.

Momento do racha com Bolsonaro

Ao lembrar a trajetória ao lado de Bolsonaro, Lemos tentou fazer uma reconstrução do momento em que aconteceu o racha com o presidente. Ele citou dois períodos cruciais. O primeiro deles, ainda durante a campanha eleitoral. “Após o primeiro turno, já senti que o clima não ficou muito legal. Quando era para puxar a carroça, era a parte difícil. Eu viajava com o presidente, coordenava a questão política da campanha. Depois, gente de dentro da campanha começou a falar que eu mentia, e já estava ficando estranho”, comentou.

Ele também citou o governo de transição, ainda nos dias finais do mandato de Michel Temer, quando a partilha por poderes criou algumas rusgas entre antigos aliados. “O presidente chegou a mim e disse que eu estava andando nos ministérios atrás de empregos. Eu vi que a coisa estava esquisita e disse a ele que, se ele achasse alguma indicação minha em algum ministério, eu renunciaria”.

Filhos do presidente

Ao contrário do que fez com o presidente, ao poupá-lo de críticas mais ácidas, Lemos não mediu palavras ao falar sobre os filhos de Bolsonaro, especialmente ao vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro (PSC).

“O Brasil está vendo que o Carlos tem sempre razão. Mas razão em quê? […] Eu entendo o lado do Carlos, ele teve um pai que quase foi morto [pela facada recebida durante a campanha de 2018]. Mas ele potencializou uma ideia de conspiração, de matar, de gente querer se aproveitar, e isso não tem lógica”, disse.

Quanto ao deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), não faltaram críticas ao uso do Twitter para difamar adversários. “Ele é um pouco orgulhoso e machuca as pessoas. Ele postou um dia uma imagem que eu estava sentado em um vaso sanitário. O Eduardo não pensa nas consequências do ferimento que ele gera. As pessoas têm família.”

Lemos também cobrou consideração de Eduardo devido às ações de apoio à família Bolsonaro durante a campanha eleitoral. “Você tenta construir algo durante quatro anos e uma irresponsabilidade de uma ação ou uma tuitada de um filho do presidente provoca fissuras gravíssimas na família de quem já serviu. Se o cara não serve hoje, serviu antes, tenha consideração”, encerrou.

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