A reportagem da Revista Crusoé publicada nesta fim de semana, que trata sobre a Operação Calvário, destacam a participação do ex-procurador do Estado da Paraíba, Gilberto Carneiro, dentro da suposta organização criminosa investigada por desvios em recursos públicos da saúde e da educação na Paraíba. No texto, ele é citado como “ponte de Ricardo Coutinho com o [Poder] Judiciário”.

A matéria cita uma das várias gravações realizadas pelo empresário Daniel Gomes, ex-líder da Cruz Vermelha Brasileira, que o Ministério Público Federal deixou de fora do acordo por entender que faltavam provas de corroboração, quando “o delator menciona o suposto contato de Carneiro com advogados próximos à desembargadora Marianna Fux, filha do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal. A tentativa de aproximação teria ocorrido porque o governador buscava ajuda no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde enfrentava um processo de cassação por abuso de poder político em sua campanha à reeleição, em 2014. Fux era presidente da corte àquela altura”.

Ainda segundo documentos anexados à investigação, o ex-procurador-geral do Estado, “exercia influência sobre diferentes áreas, em “todos os assuntos, inclusive, na escolha de membros do TCE, MP e até do TJPB (Tribunal de Justiça da Paraíba) com o aval do ex-governador Ricardo Coutinho”.

 

PROPINA ANTES DE VOTAÇÃO NO TSE

A Revista Crusoé ainda apresenta trechos de outra delação, do ex-secretário de Estado Executivo de Turismo, Ivan Burity, relatando que “Ricardo Coutinho pagou R$ 400 mil a um advogado do Rio de Janeiro em seu esforço para obter uma decisão favorável no TSE”. O fato, segundo o delator, ocorreu uma semana antes da Copa do Mundo da Rússia, e que envolvia também as presenças de Gilberto Carneiro e da ex-secretária de Estado da Administração, Livânia Farias e dois homens que se apresentaram como advogados de Ricardo Coutinho.

“Fui chamado por Livânia para ir ao Rio, com urgência, e pedir a Márcio da CONESUL, R$ 500 mil reais para atender uma emergência de Gilberto Carneiro junto a advogados de RICARDO COUTINHO” que atuavam em processos em trâmite no TSE”, diz trecho do anexo 7 da delação premiada de Ivan Burity.

O dinheiro foi entregue supostamente no hotel Windsor Califórnia e o restaurante La Maison, em Copacabana, no Rio de Janeiro. O processo de cassação contra o então governador da Paraíba, Ricardo Coutinho acabou arquivado no Tribunal Superior Eleitoral pelo placar de 6 votos a 1.

 

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