O governador João Azevêdo Lins Filho (sem partido) foi citado por Livânia Farias, investigada na Operação Calvário, em acordo de delação premiada. Em novo trecho do depoimento, divulgado pelo Metrópole Estadão, a ex-secretária de Estado diz que propinas pagas pela Cruz Vermelha do Brasil ajudaram a custear despesas de João Azevêdo a partir de abril de 2018, período em que ele se afastou da Secretaria de Infraestrutura, dos Recursos Hídricos e do Meio Ambiente para concorrer às eleições estaduais. Os repasses teriam se estendido até o mês de julho, totalizando cerca de R$ 480 mil.

Segundo Livânia Farias, o então chefe do Executivo estadual, Ricardo Coutinho, a procurou e pediu que fosse providenciado um valor a ser repassado a João Azevêdo. A quantia, de acordo com ele, serviria para o custeio de despesas. “Ele ia andar o estado todo [em campanha] e, como não era secretário e não tinha salário, teria que se fazer com que ele se sustentasse”, contou Livânia.

Ainda conforme a ex-secretária de Finanças, ficou acertado R$ 120 mil mensais. “Eu disse a ele [Ricardo] que esse dinheiro só tinha como sair da Cruz Vermelha”, completou. Livânia Farias informou que Ricardo a orientou a falar com João Azevêdo para saber a quem o dinheiro deveria ser entregue.

“Passaram-se alguns dias, encontrei com João e disse que o problema dele já tinha sido resolvido. Aí ele disse: então você fala com Deusdete Queiroga, que era secretário executivo e passou a ser secretário quando João saiu [para campanha]”.

A entrega do dinheiro a Deusdete Queiroga era feita, segundo Livânia, por Leandro Nunes, na época, seu assessor. Deusdete Queiroga foi mantido no cargo de secretário de Infraestrutura, dos Recursos Hídricos e do Meio Ambiente pelo governo de João Azevêdo.

Pagamentos a parentes de João Azevêdo

João Azevêdo pediu, em reunião no Canal 40, que uma nora e uma cunhada fossem exoneradas dos cargos que ocupavam, respectivamente, na Agevisa e Sudema. Conforme Livânia, o atual governador temia insinuações de nepotismo durante sua campanha.

“Ele disse que elas precisavam ser exoneradas, mas que elas duas não podiam ficar sem salários. E ficou acordado entre eu e ele de que o que elas recebiam, o valor bruto, seria repassado para ele”, disse Livânia.

Segundo a ex-secretária, o salário da nora de João era R$ 6.000 e o da cunhada era de R$ 3.800. “Eu separava esse dinheiro esse dinheiro, colocava num envelope e entregava a ele. Eu, pessoalmente, entreguei a ele uma vez. Nas outras vezes, quem entregava era Laura [ex-assessora de Livânia Farias]”, detalhou.

De acordo com Livânia, os valores foram pagos de agosto até novembro de 2018..

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