A pressão da ala militar do governo foi decisiva para restringir ainda mais o uso de aviões da Força Aérea Brasileira por ministros e autoridades. Dessa vez, a gota d’água foi a viagem do então secretário-executivo da Casa Civil, Vicente Santini, para a Suíça e para Índia, que gerou contrariedade na cúpula militar do governo.

Na condição de ministro em exercício, Santini viajou em um avião da FAB e, diante da polêmica, acabou demitido do cargo. O presidente Jair Bolsonaro chegou a reconhecer que o episódio não era ilegal, mas classificou como imoral.

Pelo novo decreto, não será mais permitido o deslocamento pelas aeronaves da FAB de substitutos de autoridades ou autoridades que ocupam o cargo como interino. Nas palavras de um auxiliar do Planalto, esta regra foi criada justamente pela repercussão negativa do caso Santini.

Não é de hoje que autoridades militares pressionam pelo endurecimento das regras. A primeira mudança aconteceu ainda no governo Fernando Henrique Cardoso. E também houve restrições no governo Dilma Rousseff.

No governo Michel Temer, em 2016, a assinatura de um decreto determinou que uma aeronave esteja sempre à disposição na capital federal para realizar o transporte de órgãos doados para transplante e também permite o uso de outros aviões da Aeronáutica lotados por todo o país para esse objetivo. Desde então, mais de 200 órgãos são transportados por ano para transplante.

O uso de aviões da FAB por autoridades já causou polêmicas ao longo dos anos. Um dos casos de maior visibilidade foi o deslocamento do então presidente do Senado, Renan Calheiros, para fazer tratamento capilar. O episódio aconteceu em 2013, e o senador, depois, informou que devolveu a União o valor de R$ 27 mil pelo deslocamento ao Recife para fazer o implante capilar.

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