O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), voltou a criticar na tarde desta sexta-feira (27) a política do presidente Jair Bolsonaro de abandonar o isolamento social como medida de combate ao coronavírus nos estados brasileiros.

“Quase metade da população do planeta está em casa. O mundo inteiro está em casa e o único certo é o presidente Jair Bolsonaro? Será essa é a racionalidade: só um certo e o mundo inteiro errado? Reflitam sobre isso. O Ministério da Saúde defende o isolamento. A campanha que o governo federal está lançando hoje nas emissoras de tv e nas redes sociais prega o contrário. Afinal temos um governo federal ou dois governos?”, questionou Doria.

A declaração foi feita após uma visita do governador ao hospital de campanha que está sendo erguido no estádio do Pacaembu, na Zona Oeste de São Paulo. Ao lado do prefeito da capital paulista, Bruno Covas, Doria afirmou que “a política que mata pessoas não salva a economia”, em alusão à campanha que da base de apoio do presidente lançou desta sexta-feira (27) para a volta das atividades econômicas no País, em meio a pandemia de coronavírus.

“Não é racional fazer política com a saúde e a vida das pessoas, especialmente as mais pobres e vulneráveis. É racional ter atitudes corretas e solidárias. Hoje, mais de 40 países estão em quarentena contra a pior crise de saúde do mundo dos últimos 100 anos. Será que em São Paulo vamos precisar enterrar 4.400 pessoas, como na Itália, para ter a certeza de que o convite para irmos às ruas, para fazerem o que não devem fazer é um erro? Antes que isso aconteça, você, que é cidadão e ama a vida, siga as orientações dos médicos e das autoridades que não têm medo de falar a verdade. Fique em casa”, disse.

Ameaças de mortes

João Doria também comentou sobre as ameaças de morte que começou a receber nesta quinta-feira (26) através do celular e também das redes sociais. O governador atribuiu as mensagens ao chamado “gabinete do ódio”, em Brasília, comandado por membros do governo federal, e diz que seriam uma reação de apoiadores de Jair Bolsonaro após a discussão que teve com o presidente da República na terça-feira (24), durante reunião virtual com todos os governadores do Sudeste.

“Comecei a receber mensagens de whatsapp e telefonemas chulos com xingamentos de pessoas instruídas pelo gabinete do ódio de Brasília, que nos últimos 15 meses só tem produzido isso, erros e instabilidade na vida do país. Depois das 22h30, comecei a receber ameaças mais duras de agressão, constrangimento e de invasão da minha casa. Pedi a investigação e já estamos monitorando todos os telefonemas e whatsapp que recebi. Quero dizer a bolsominios e ameaçadores, agressores, como estes, que eu não tenho medo de cara feia, não tenho medo de bolsominios, de 01, de 02, de 03, de 04. Eu não tenho medo de Bolsonaro, sou brasileiro e fui educado para trabalhar pelo direito e pela Justiça”, declarou Doria.

O governador de São Paulo disse também que, apesar da campanha do governo federal contra o isolamento social, a decisão de manter o estado em quarentena está mantida até 7 de abril.

Sobre as carreatas observadas no estado de São Paulo por apoiadores de Bolsonaro contra a quarentena paulista, o governador declarou que “vai salvar a vida de todos”.

“Parte do meu povo está seguindo um irresponsável, que faz campanha de que as pessoas devem ir às ruas no momento que devem ficar em casa. Vocês que estão gritando e me ameaçando, nós vamos ajudar a salvar a vida de vocês também. Vamos salvar a vida daqueles que pregam a irresponsabilidade também”, afirmou.

Hospitais de campanha

Durante a coletiva, o governador de São Paulo também anunciou o repasse de R$ 50 milhões para co-financiar os hospitais de campanha que a Prefeitura de São Paulo está erguendo na capital paulista para atender os doentes.

Segundo o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, o hospital de campanha do Pacaembu deve ser entregue no próximo dia 1 de abril e deve se somar aos 2 mil leitos que a administração municipal planeja erguer na capital para enfrentar o coronavírus.

Na coletiva, Covas também afirmou que as decisões sanitárias em São Paulo se guiam pelas avaliações técnicas de médicos e especialistas no assunto.

“Estamos fazendo aqui o que é recomendação das principais autoridades de saúde e de vigilância sanitária do mundo. O isolamento e a proteção à vida não é de direita, esquerda ou centro. É ação humanitária, independente de partido ou política. Este é um momento de união, não é momento de pensar nas próximas eleições, mas pensar nas vidas. Não podemos nos arrepender depois, como o prefeito de Milão se arrependeu, de não ter fechado tudo agora que tem mais de 4 mil mortes”, declarou Covas.

Crédito para os municípios

Doria também liberou mais R$90 milhões para municípios paulistas com menos de 100 mil habitantes poderem investir no combate ao coronavírus no interior de São Paulo.

“No total, estamos investindo R$ 309 milhões para que os 645 municípios do estado possam comprar insumos e investir em hospitais de campanha para combater o coronavírus. Esse dinheiro deve ser basto exclusivamente com saúde”, afirmou o governador.

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