O ex-ministro da Saúde Arthur Chioro, que ocupou a pasta no governo Dilma, alertou nesta quarta-feira (29) que a crise epidemiológica brasileira está se agravando por conta da irresponsabilidade do presidente Jair Bolsonaro. O número de mortos pode chegar a 1 milhão de pessoas nos próximos meses, diante da possibilidade de relaxamento da quarentena que vem acontecendo. “Viveremos ainda cenas muito trágicas no país, dada a negligência, a irresponsabilidade e a conduta criminosa do governo federal”, denunciou.

Médico sanitarista, o ex-ministro condenou a estratégia de enfrentamento do governo Bolsonaro, que não promoveu testes amplos quando era possível, no início da pandemia. Agora, o país não tem dados precisos sobre a contaminação. “A subnotificação mascara a realidade: o número de contagiados é muito maior do que os dados oficiais, com a taxa de mortalidade atingindo 7%”, advertiu Chioro. “Os casos considerados leves, assintomáticos e que representam 85% não estão contidos entre os casos confirmados”. Ele recomenda que não se afrouxe o distanciamento social para evitar uma explosão ainda maior de casos.

Chioro estima que o país tenha hoje entre 800 mil e 1 milhão de brasileiros infectados pelo Covid-19. Ele responsabilizou a gestão de Henrique Mandetta pela não realização de testes em massa, limitando o foco a casos graves. O Brasil fez apenas 339.552 testes, o que dá 1.597 para cada milhão de habitantes. Em Portugal, são 37.223 testes por milhão de pessoas. “Não checamos ainda ao pico do contágio”, destacou. “Estamos ainda no início, na 18ª semana de contágio e o pico será na 24ª semana, no final de maio e começo de junho” (veja quadro). Se não houver um isolamento severo, o número de óbitos pode superar 1 milhão de casos.

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